biografia

Maurício Salgueiro Vitória - ES, 1930

Mudou-se com a família para o Rio De Janeiro em 1936.

Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes onde se formou em 1954. Cumprindo o prêmio de viagem que lhe foi conferido pelo Salão Nacional de Belas Artes em 1960, permaneceu dois anos na Europa, aperfeiçoando seus estudos de escultura em metal na Brombley Art School de Londres, 1961, e na Academie Du Feu de Paris, 1962. Foi professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Espírito Santo a partir de 1957, da Escola Nacional de Belas Artes de Rio de Janeiro a partir de 1958, e do Instituto de Arte e Comunicação da Universidade Federal de Niterói. Ainda no Rio de Janeiro, Lecionou na Pontificia Universidade Católica de 1973 a 1984, no Museu de Arte Moderna de 1968 a 1973 e na Universidade Santa Úrsula em 1989. Escultor e fotógrafo, tem se destacado também como designer de troféus para cinema, futebol e carnaval.

Mauricio Salgueiro é, ao lado de Abrahan Palatnik, Waldemar Cordeiro e Eduardo Kac, um dos fundadores da arte tecnológica no Brasil, em suas diferentes épocas e especialidades. Foi um dos primeiros artistas em todo mundo a fazer uso da luz fluorescente como suporte de sua expressão artística, e o primeiro no Brasil a acrescentar o som ( de sirenes, buzinas e motores ) às suas esculturas. Suas obras lumino-sonoras foram expostas nas bienais de São Paulo e Paris em 1965, provocando impacto e merecendo elogios em textos de Pierre Restany e Georges Orley. De uma fase inicial na qual predominavam o ferro e a solda elétrica, Salgueiro evoluiu para esculturas, mimetizando postes, com sua fiação, interruptores, isoladores cerâmicos, néons e ruídos, a seguir para esculturas-máquinas, uivantes ou pulsantes, expelindo óleos avermelhados a lembrar sangue, ou água, provocando borbulhas e expandindo espumas e, finalmente, estruturas mecânicas, que se movem à maneira de autômatos.

Em outro pólo de sua invenção plástica associa a fotografia e determinados materiais – tecidos, metais, etc. – que, situados lado a lado num mesmo painel, criam uma situação ambígua, envolvendo os sentidos da visão e do tato. Em texto de 1976, Frederico Morais fala a propósito de Mauricio Salgueiro em "uma poética da máquina", sustentando que ele "revela em sua obra uma exata compreensão de que o alargamento de nossa percepção dependerá do tipo de relacionamento que estabelecemos com as máquinas que envolvem nossa existência cotidiana. Se excluirmos a produção inicial, característica dos momentos de formação podemos dizer sem erro que o binômio cidade/máquina foi sempre a sua preocupação como artista aproximando-se, nesse particular, dos futuristas italianos".

Participou das bienais de Paris, 1965; São Paulo, 1965, 1967, 1971 e 1975; e Bahia, 1966 e 1968, do Salão Nacional de Belas Artes e Salão Nacional de Arte Moderna. Rio de Janeiro, nove vezes entre 1951 a 1966; do Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, 1964 a 1966; Salão Municipal de Belas Artes, Belo Horizonte, 1964; Salão Esso de Artistas Jovens, Rio de Janeiro e Washington, 1965 ; do Salão Comparaisons, Paris, 1965 ; do Resumo Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1965; do Salão da Eletrobrás ‘ Luz e Movimento’ , Rio de Janeiro, 1971; do Panorama de Arte Atual Brasileira, São Paulo, 1972, 1975 e 1976; recebendo inúmeros prêmios. Figurou ainda em diversas coletivas no Brasil e no exterior, cabendo mencionar, entre outras, O rosto e a obra, Rio de Janeiro, 1964 ; Arte Brasileira Contemporânea, Lisboa e Praga, 1965 ; Escultura Moderna do Brasil, México, 1967 ; imagem do Brasil, Bruxelas, 1974 ; Universo do Futebol, Rio de Janeiro, 1982 ; Um século de escultura no Brasil, São Paulo, 1982 ; Madeira, matéria de arte, Rio de Janeiro,1984 ; Bienal do século XX, São Paulo, 1994 ; Máquinas de Arte, São Paulo, 1997 : Trajetória da Luz, São Paulo, 2001 : FiatLux – A Luz na arte, Rio de Janeiro, 2003. Esteve presente em diversas mostras e eventos de arte pública, tais como Arte no Aterro, Rio de Janeiro, 1965; Domingos da Criação, Rio de Janeiro, 1971; 10 escultores de vanguarda, Praça Roosevelt, São Paulo, 1970; 50 anos de escultura brasileira no espaço urbano, Praça M.S. da Paz, Rio de Janeiro, 1982. Realizou cerca de uma dezena de exposições individuais, em Vitória, 1957, 1965 e 1975: Rio de Janeiro, 1963; Belo Horizonte, 1964: Lima, Peru, 1965; Assunção, Paraguai, 1969; e duas amplas retrospectivas, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, em Niterói, 1976; e Museu de Arte da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 1994.

Entre 1976 e 2004 participou 17 vezes, como JULGADOR, dos desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba do
Rio de Janeiro.

Foi Coordenador do Curso Bloch de Fotografia nos anos de 1975 e 1976

Bibliografia:

Frederico Morais. ‘ Luminosas, uivantes, tátil-olfativas, pulsantes. Eis as esculturas de Mauricio Salgueiro’.

O Globo, Rio de Janeiro, 9 de setembro de 1976. Frederico Morais. Apres. Car. Exp ‘ Máquinas de arte’ ( São Paulo: Itaú Cultural, 1999).