Exposição Transcendências

Galerias do Palácio Anchieta - Vitória, ES

Sala especial

críticas, textos e depoimentos

Os artistas Brasileiros Na VIII Bienal de São Paulo - Pierre Restany. Revista Domus, nº 432 – novembro de 1965 – Milão, Itália

Entre os mais jovens, um grupo de artistas de São Paulo se impõe pela clareza de seus objetivos e originalidade de suas pesquisas semânticas, centradas sobre um espaço de síntese ativa entre o Ready Made e a Pop Art, uma espécie de ‘ Pop Concretismo’: Waldemar Cordeiro, Luiz Sacilotto e Maurício Salgueiro desenvolvem suas experiências pluridimensionais. A partir desta renovação de linguagem se abre largamente uma perspectiva sobre o futuro da arte brasileira.
Pierre Restany

A Arte Brasileira - Pierre Restany. Revista Domus, Nº 544 – Milão, Itália

Autre experimentateur de grande classe, Mauricio Salgueiro, revelation d’une Biennale de Paris il y a quelque chose comme dix ans. Cet observateur critique de la civilisation urbaine ne se content plus de faire pousser a ses sculture de strident cris d’alarme ponctue de jets de lumière clignotants. Dans la serie 1973-74 des Vazamentos il nous propose l’evidenciation de la pollution technologique a l’aide précisément d’une technique parfaite. Chaque demostration est programmée pour une minute et demis: Dans une bac évier rempli a mi-hauteur l’eau sale se met a buoillonner, D’un parallépipede de cuivre emerge en sueur grasse et insidieuse de l’huile de moteur que peu a peu déborde du sommet pour couler sur lês bords. Mauricio Salgueiro a attaint une sùrete de vision et unr maitrise du langage qui le fait rejoindre en grand style les preoccupation critique de la jeune genération.
Pierre Restany

Do Rio e de Paris - VERA PACHECO JORDÃO. “O Globo” –1 out. 1965

Também conhecida como “Biennale des Jeunes”, pois que só admite artistas de até 35 anos, a Bienal de Paris que se realiza no Museu Municipal de Arte Moderna – tem este ano uma boa representação brasileira, escolhida por Clarival Valladares, reunindo tendências diversas, porém todas dentro de linhas atuais. Ana Letycia tem nesta Bienal uma exposição de suas gravuras em sala especial como prêmio votado pelos artistas que com ela participaram do certame anterior em 1963. Estou de saída a fim de participar da inauguração para a imprensa e por ora limito-me a dar a lista dos brasileiros participantes. Como pintores temos: Vilma Pasqualini,Sérgio Campos Mello, Antonio Dias, José Roberto Aguilar, cada um com três obras. Caciporé Torres e Maurício Salgueiro apresentam duas esculturas, Roberto Magalhães, três gravuras, Tomoshigo Kosuno arranjou um jeito de apresentar seus desenhos nas faces de um grande cubo que se abre, aumentando assim para nove a quantidade que havia sido afixada em três. Temos também um trabalho de equipe, dirigido por Flávio Império (da Faculdade de Arquitetura de S. Paulo) sobre a qual ainda não sei. Ao que me disseram a sala reservada ao Brasil era muito pequena para tão variada mostra, mas Gilda Alvim – graças a cotação que lhe vem de suas relações nos meios artísticos oficiais, que não são de hoje mas vem desde muitos anos – conseguiu a façanha de obter sala mais espaçosa. Galho mais difícil de quebrar é o da escultura de Maurício Salgueiro, cuja ligação elétrica os instaladores da Bienal se recusam a fazer, alegando que o toque de sereia, assim desencadeado, poderá causar pânico entre o público desprevenido. Não sei se vão colocar uma surdina, ou calar de todo o apito, perigoso e desagradável para um povo que tem vivido em estado de alarme.

FIAT LUX – A LUZ NA ARTE - PAULO REIS. CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL. Rio de Janeiro, 2003

Nos anos 60, Dan Flavin nos Estados Unidos e Maurício Salgueiro no Brasil introduzem a luz definitivamente no dicionário das Artes Plásticas mundiais... ...No Brasil, o escultor Mauricio Salgueiro começa a produzir, neste mesmo ano (1964), não por acaso o ano do golpe militar no Brasil “Esculturas Luminosas”, mais tarde o diferencial de seu trabalho cinético. Pela primeira vez na arte brasileira a luz fluorescente torna-se matéria-prima da criação plástica, entronizando não apenas a lâmpada mas também os motores e a energia elétrica como partes de uma criação artística.

1950-1975 - FERNANDO COCCHIARALE. Paço das Artes – São Paulo, 2002

A primeira metade da década de 50 assistiu as experiências fotográficas de teor surrealista (Athos) e abstrato/concretas (Oiticica Filho) dos cariocas Athos Bulcão e José Oiticica Filho. Já no começo da década seguinte, Mauricio Salgueiro, escultor capixaba residente no Rio, mais ou menos na mesma época de Dan Flavin, desenvolveu trabalhos com luz fluorescente. É importante deixar aqui registrado que, afora Palatinik, Salgueiro foi, e ainda segue sendo, o único artista florescido nessa época que vem desenvolvendo um trabalho permanente de invenção poética ligada à tecnologia eletromecânica. Afora Athos Bulcão cujas montagens possuem um sentido poético icônico inquestionável, todos estes outros artistas investigaram o campo formal. Isto é, puseram a fotografia (Oiticica Filho), a luz e o movimento (Palatinik e Salgueiro) a serviço da criação de formas técnicas (ou tecnológicas).

TRANCENDÊNCIAS - ALMERINDA LOPES. MARIA HELENA LINDENBERG. Palácio Anchieta – Vitória, ES – 2010

A exposição “Transcendências”, que conta com um conjunto de obras de autoria de 15 artistas capixabas pertencentes a diferentes gerações, já está aberta a visitação no Salão São Tiago, no Palácio Anchieta, no centro de Vitória. “Transcendências” foi realizada por maio de uma parceria da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) com o Instituto Sincades. Sob curadoria de Almerinda Lopes e Maria Helena Lindenberg, a mostra apresenta uma infinita gama de procedimentos, pensamentos visuais, atitudes estéticas e criativas, em vários domínios artísticos: das faturas artesanais às tecnologias eletromecânicas e digitais. A mostra também presta homenagem ao escultor capixaba Maurício Salgueiro pelos seus 80 anos de vida, com uma sala especial, tributo de seus conterrâneos à ousadia e originalidade de um projeto poético que mantém a sua jovialidade e vitalidade. Salgueiro, cuja obra tem reconhecimento internacional, construiu ainda no início dos anos 60, os primeiros objetos dotados de luz, som e movimento, com alguns dos quais o público pode interagir na mostra. Sobre a obra de Salgueiro, Dayse Lemos comentou: “Eu acho que a luz é uma fonte de vida e de energia. Era o que a gente queria trazer para o Palácio – vida, energia, vibração. E os artistas capixabas estão coadunados justamente com esta contemporaneidade. É uma homenagem justa. A exposição está superbonita. Eu convido a todos a vir aqui apreciá-la”. Além da obra de Maurício Salgueiro, a mostra tem obras de mais quatorze artistas capixabas: Erlon Peres-Wanderley, Fernando Augusto, Hilal Sami Hilal, Ivanilde Brunow, Luiz Leite, João Wesley, Jocimar Nalesso, Júlio Schmidt, júlio Tigre, Marcus Vinícius, Miro Soares, Orlando Farya, Paulo Vivácqua e Piatan Lube. Almerinda Lopes e Maria Helena Lindenberg ressaltaram que os artistas tem diferentes graus de experiência e reconhecimento: “Alguns são autores de linguagens poéticas e trajetórias já consolidadas e sua produção transita pelo meio artístico nacional e internacional. Outros são ainda jovens iniciantes, que sequer completaram sua respectiva formação artística na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), mas a maturidade, coerência e atualidade das respectivas gramáticas poéticas, convenceram a curadoria a acreditar no seu potencial”, contou Almerinda. Recorrendo à pintura, ao objeto, à fotografia, ao vídeo, à instalação ou à performance, os artistas encontraram uma maneira própria de captar ou produzir imagens, confrontar situações, engendrar contradições ou paradoxos, lançar um olhar sensível ou inquiridor sobre diferentes territórios e paisagens, próximas ou distantes por onde transitam. Os artistas participantes da mostra “Transcendências” engendram, assim, um repertório diversificado de formas e imagens, criam instalações orquestradas por materiais densos ou fluídos, opacos ou transparentes, fazendo-os deslizar, flanar, emitir sons, reverberar poeticamente no espaço, invocando um fluxo de memórias, tempos, idéias, percepções.

Itaú Cultural Volta ao Futuro em Duas Mostras - O Estado de São Paulo - 24 de agosto de 1999. Antônio Gonçalves Filho

ITAÚ CULTURAL - São Paulo EXPOSIÇÃO: COTIDIANO/ARTE - A TÉCNICA Elas reúnem pioneiros da arte cinética e criadores de ambientes virtuais... ...Outros profetas da arte cinética estão presentes na mostra, como Mauricio Salgueiro na obra de quem o minimalista Dan Flavin certamente buscou inspiração. A prova de sua antevisão é uma escultura luminosa de 1964 objeto em metal com lâmpadas fluorescentes instalada a poucos metros de distância de sua obra mais perturbadora, A POÇA (1986) em que um objeto de poliester emerge de um cubo de madeira espalhando tinta vermelha sôbre a superfície de madeira. O Alien de Giger não passa de brinquedo de criança perto de Salgueiro.