URBIS FLAGELADA - 1966

Madeira, isoladores, fios, urais de cupins, buzina com socorro eletro-mecânico e movimentos de som

Madeira Matéria de Arte - MAM RJ

Bienal Nacional de Salvador, Bahia - Prêmio Aquisição

Coleção do artista

críticas, textos e depoimentos

BUENOS AIRES: “Artistas brasileiros da atualidade” - JAYME MAURÍCIO. “ITINERÁRIO DAS ARTES PLÁSTICAS” - Correio da Manhã 08 maio 1985

O grande acontecimento da presente temporada de arte em Buenos Aires vem sendo a exposição “Artistas Brasileiros Contemporâneos”, ali inaugurada dia 22 do mês passado, no Museu de Arte Moderna. Organizada pelo Departamento Cultural do Itamarati – e tendo como comissária Carmen Portinho, diretor executivo adjunto do Museu de Arte do Rio de Janeiro – a mostra compõe-se de 189 trabalhos (73 gravuras, 42 pinturas, 19 esculturas) dos seguintes artistas: Farnese de Andrade, Dora Basílio, Edith Behring, Iberê Camargo, Sérgio Camargo, Amilcar de Castro, Newton Cavacanti, Lygia Clark, Waldemar Cordeiro, Roberto DeLamonica, Antonio Dias, Anna Bella Geiger, Rubens Gerchman, Walter Gomes Marques, José Maria, Paulo Roberto Leal, Roberto Magalhães, Brauben do Monte Lima, Raimundo de Oliveira, Abraham Palatinik, Rossini Perez, Arthur Luiz Piza, Ana Letícia Quadros, Marilia Rodrigues, Ione Saldanha, Mauricio Salgueiro, Ivan Serpa, José Assumpção Souza, Anna Szule, Franz Weismann. “URBIS”, escultura em ferro de Maurício Salgueiro, dotada de som e luz – sugestão áudio visual de um tráfego urbano – foi colocada à porta de entrada do Museu de Arte Moderna de Buenos Aires, na inauguração da mostra “Artistas Brasileiros Contemporâneos”.

“Urbis Flagelada” - Frederico Morais. De a Poética da Máquina Capítulo V – a série Urbis: 1964 – 1969

“Urbis Flagelada” guarda em seu brutalismo a memória traumática do temporal que atingiu o Rio, em janeiro de 1966, inundando diversos bairros e regiões, provocando a morte de 200 pessoas e 30 mil desabrigados em mais de mil desabamentos de casas e edifícios e deslizamentos de terra em morros e encostas. A enxurrada que desceu da Ladeira do Ascurra, trouxe até a porta do atelier de Salgueiro, no Cosme Velho, travas de madeira, algumas já parcialmente carcomidas pelo cupim, mas ainda vigorosas. Com essa madeira que lhe chegou com a violência da chuva, mais fiação elétrica, robustos isoladores cerâmicos, sucata metálica e placas de cupim resinado, Salgueiro construiu dois conjuntos, interligados, expostos e premiados naquele mesmo ano na I Bienal da Bahia...