Do Rio e de Paris


VERA PACHECO JORDÃO. “O Globo” –1 out. 1965


Também conhecida como “Biennale des Jeunes”, pois que só admite artistas de até 35 anos, a Bienal de Paris que se realiza no Museu Municipal de Arte Moderna – tem este ano uma boa representação brasileira, escolhida por Clarival Valladares, reunindo tendências diversas, porém todas dentro de linhas atuais.

Ana Letycia tem nesta Bienal uma exposição de suas gravuras em sala especial como prêmio votado pelos artistas que com ela participaram do certame anterior em 1963.

Estou de saída a fim de participar da inauguração para a imprensa e por ora limito-me a dar a lista dos brasileiros participantes. Como pintores temos: Vilma Pasqualini,Sérgio Campos Mello, Antonio Dias, José Roberto Aguilar, cada um com três obras. Caciporé Torres e Maurício Salgueiro apresentam duas esculturas, Roberto Magalhães, três gravuras, Tomoshigo Kosuno arranjou um jeito de apresentar seus desenhos nas faces de um grande cubo que se abre, aumentando assim para nove a quantidade que havia sido afixada em três. Temos também um trabalho de equipe, dirigido por Flávio Império (da Faculdade de Arquitetura de S. Paulo) sobre a qual ainda não sei.

Ao que me disseram a sala reservada ao Brasil era muito pequena para tão variada mostra, mas Gilda Alvim – graças a cotação que lhe vem de suas relações nos meios artísticos oficiais, que não são de hoje mas vem desde muitos anos – conseguiu a façanha de obter sala mais espaçosa.

Galho mais difícil de quebrar é o da escultura de Maurício Salgueiro, cuja ligação elétrica os instaladores da Bienal se recusam a fazer, alegando que o toque de sereia, assim desencadeado, poderá causar pânico entre o público desprevenido. Não sei se vão colocar uma surdina, ou calar de todo o apito, perigoso e desagradável para um povo que tem vivido em estado de alarme.