Troféu Copa Brasil


FREDERICO MORAIS. Catálogo - Soraia Cals Escritórios de Arte Maio – 2010


1975 – RJ: Dificilmente algum artista brasileiro terá tido público maior para uma de suas obras. Refiro-me ao Troféu Copa Brasil, que Zico ergueu no Maracanã, em 1980 e, depois, em 1982 e 1983, nas três vezes em que o Flamengo foi campeão brasileiro. Quatorze vezes, entre 1975 e 1987, o ritual se repetiu com outros jogadores, em outros estádios e cidades, mas sempre com a mesma emoção, ao se sagrarem campeões brasileiros, Internacional e Grêmio de Porto Alegre, São Paulo, da capital paulista, Guarani de Campinas, Fluminense do Rio de Janeiro, Coritiba do Paraná e Sport do Recife. Dos estádios de futebol para os jornais, revistas, emissoras de televisão, posters, cinema – nenhum outro troféu foi tão visto e adorado. E, no entanto, pouca gente, inclusive do meio artístico, sabe que o autor é Maurício Salgueiro. Em um território inteiramente minado pelo kitsch, Salgueiro não se limitou a romper com a tradicional taça, invariavelmente desajeitada e cafona. Promoveu uma renovação completa: conceituação, coerência de forma e conteúdo, ergonomia, materiais empregados, qualidade de execução, atraente visualidade. Para criá-lo, Salgueiro partiu da coisa mais óbvia, mas nem sempre lembrada, a bola. O troféu reúne 155 esferas, como ele explica na memória descritiva do projeto: “Ao longo do campeonato, evidenciam-se as condições das equipes mais aptas ao título de campeã, reservando-se ao vencedor o núcleo da proposta – a única esfera de ouro e a maior”. Lembra ainda Salgueiro, que a “esfera está associada, em termos construtivos, à evolução da retícula espacial que delimita o campo gráfico, onde a imagem virtual de uma taça se desenha”.

Ao longo da carreira, Salgueiro projetou cerca de uma dezena de troféus. Em 1967 projetou o troféu Lamartine Babo, para a melhor música de Carnaval. Esculpiu a imagem do compositor caminhando – magérrimo e sorridente – com seu impecável terno branco, pois no seu entender, nada poderia substituir a própria imagem do compositor carioca. Seguiram, em 1969 e 1971, dois troféus para a área de cinema, a Coruja de Ouro e o Humberto Mauro, concedidos pelo Instituto Nacional de Cinema, respectivamente aos melhores diretores de filmes em longa-metragem do cinema brasileiro, e aos vencedores do Festival de Curta-Metragem promovido pelo INC em parceria com o Jornal do Brasil.