POLIVISÕES - FREDERICO MORAIS


CENTRO CULTURAL PASCHOAL CARLOS MAGNO. Catálogo – Rio, agosto – 1976


Abrindo novo flanco, mas sem deixar de lado a série Urbs, Mauricio Salgueiro vem desenvolvendo pesquisas no plano bidimensional, nas quais joga dialeticamente com determinados materiais ou objetos (tecidos, alumínio amassado, ancinhos, etc.) e a fotografia desses mesmos materiais e objetos, colocados lado a lado. O resultado é uma visualidade ambígua – diante dos painéis, por um momento, vacilamos – onde está o objeto? Onde está a foto? Se antes, nas esculturas, deslocou elementos de nossa natureza tecnológica – a sucata industrial, motores – para o novo contexto, procurando revê-los de modo diferente, injetando-lhes novos conteúdos, agora, com suas pesquisas fotográficas, ao acentuar a carga de ambiguidade, quer forçar-nos a ver, com olhos mais atentos, objetos perfeitamente banais. Vale dizer, retoma de outro ângulo, os mesmos problemas que o levaram à série Urbs: tudo começa pelo ato apropriativo e seletivo de uma dada realidade, que será examinada cuidadosamente, seja pela repetição da sua imagem bidimensional, seja pela multiplicação de seus aspectos desconhecidos num percurso inevitável: do exterior ao interior.