A POÉTICA DA RETÍCULA


Memória Descritiva de um projeto para um troféu de CINEMA MAURÍCIO DE SAULES SALGUEIRO – 1999


A Retícula está na televisão, no vídeo, no cinema, na fotografia e em todos os campos do Audiovisual. Por onde passa o olhar do homem as formas invariavelmente dissolvem-se nelas. Pois já galgaram seu status de ícone do nosso tempo.

Através delas, mensageiras da realidade, nos chegam todos os estímulos e informações visuais. Senhoras absolutas das formas brincam com elas a seu bel prazer.

Bailam por incontáveis variações: lineares, circulares, ovoides, cruzes, podendo formar mosaicos de infinitas expressões e significados. Em uma invasão, desprovida de medo ou pudor, de todas as dimensões do espaço.
Explorando esta tridimensionalidade apresentamos três maquetes fotografadas que, como tais, não devem ser consideradas quanto sua arte final, em que pese mostrarem exatamente todos os materiais que serão empregados na confecção dos troféus.

O espírito da proposta é a retícula. Suas evoluções, em síntese dão o mesmo recado, chegam no mesmo ponto de leitura. Assim, dimensionamos nosso trabalho ao seu redor, por ser ela um símbolo de representação que norteia a finalidade do presente troféu.

Enquanto o segundo e terceiro colocados recebem a prata e o bronze, o vencedor conquista o ouro. Aqui substituído pelos materiais nobres da modernidade, o acrílico e o inox, símbolos de superioridade e qualidade.

A primeira maquete apresenta uma proposta densa, com forte concentração no centro/coração do espaço, atenuando-se gradativamente em direção às bases através de nuances formadas por múltiplas curvas e interseções, de retículas dentro de retículas.

Já a segunda opção emprega o ícone da ampulheta, símbolo do tempo e do presente. Despertando a incerteza com seus lados simétricos. Em que sentido corre o tempo? Qual a extremidade decresce, e qual cresce? Para onde vai o grão/retícula?

A alternativa três caminha através do abstrato. Trabalhando sobre visualizações da retícula somente como centro da composição. Assim ela desenvolve-se através de concentrações ou deixando viver espaços. Com isso o espectador vê-se remetido às mais profundas conjecturas, numa eterna busca pelo significado da forma.