TRANCENDÊNCIAS


ALMERINDA LOPES. MARIA HELENA LINDENBERG. Palácio Anchieta – Vitória, ES – 2010


A exposição “Transcendências”, que conta com um conjunto de obras de autoria de 15 artistas capixabas pertencentes a diferentes gerações, já está aberta a visitação no Salão São Tiago, no Palácio Anchieta, no centro de Vitória.

“Transcendências” foi realizada por maio de uma parceria da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) com o Instituto Sincades. Sob curadoria de Almerinda Lopes e Maria Helena Lindenberg, a mostra apresenta uma infinita gama de procedimentos, pensamentos visuais, atitudes estéticas e criativas, em vários domínios artísticos: das faturas artesanais às tecnologias eletromecânicas e digitais.

A mostra também presta homenagem ao escultor capixaba Maurício Salgueiro pelos seus 80 anos de vida, com uma sala especial, tributo de seus conterrâneos à ousadia e originalidade de um projeto poético que mantém a sua jovialidade e vitalidade. Salgueiro, cuja obra tem reconhecimento internacional, construiu ainda no início dos anos 60, os primeiros objetos dotados de luz, som e movimento, com alguns dos quais o público pode interagir na mostra.

Sobre a obra de Salgueiro, Dayse Lemos comentou: “Eu acho que a luz é uma fonte de vida e de energia. Era o que a gente queria trazer para o Palácio – vida, energia, vibração. E os artistas capixabas estão coadunados justamente com esta contemporaneidade. É uma homenagem justa. A exposição está superbonita. Eu convido a todos a vir aqui apreciá-la”.

Além da obra de Maurício Salgueiro, a mostra tem obras de mais quatorze artistas capixabas: Erlon Peres-Wanderley, Fernando Augusto, Hilal Sami Hilal, Ivanilde Brunow, Luiz Leite, João Wesley, Jocimar Nalesso, Júlio Schmidt, júlio Tigre, Marcus Vinícius, Miro Soares, Orlando Farya, Paulo Vivácqua e Piatan Lube.

Almerinda Lopes e Maria Helena Lindenberg ressaltaram que os artistas tem diferentes graus de experiência e reconhecimento: “Alguns são autores de linguagens poéticas e trajetórias já consolidadas e sua produção transita pelo meio artístico nacional e internacional. Outros são ainda jovens iniciantes, que sequer completaram sua respectiva formação artística na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), mas a maturidade, coerência e atualidade das respectivas gramáticas poéticas, convenceram a curadoria a acreditar no seu potencial”, contou Almerinda.

Recorrendo à pintura, ao objeto, à fotografia, ao vídeo, à instalação ou à performance, os artistas encontraram uma maneira própria de captar ou produzir imagens, confrontar situações, engendrar contradições ou paradoxos, lançar um olhar sensível ou inquiridor sobre diferentes territórios e paisagens, próximas ou distantes por onde transitam.

Os artistas participantes da mostra “Transcendências” engendram, assim, um repertório diversificado de formas e imagens, criam instalações orquestradas por materiais densos ou fluídos, opacos ou transparentes, fazendo-os deslizar, flanar, emitir sons, reverberar poeticamente no espaço, invocando um fluxo de memórias, tempos, idéias, percepções.